Depoimento de Darcy Nunes apresentou contradições, respostas evasivas sobre corrupção e falhas na administração da autarquia.25/08/2025 16:27
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Desmonte do DMAE ouviu, nesta segunda-feira (25), na Câmara Municipal de Porto Alegre, o engenheiro Darcy Nunes dos Santos, ex-diretor do órgão entre 2017 e 2020 e diretor-adjunto até 2024. De acordo com a presidente da CPI, vereadora Natasha Ferreira (PT), o depoimento de Darcy foi marcado por contradições e respostas evasivas em pontos centrais da investigação.
“Ele negou a existência de um desmonte da autarquia, mas reconheceu que há mais de 3 mil cargos vagos no DMAE, justificando que não são preenchidos por serem cargos desatualizados. O que Darcy não disse é que cabe à prefeitura reorganizar as funções”, explica Natasha.
Outro ponto central foi a discussão sobre as denúncias de corrupção envolvendo o ex-diretor Alexandre Garcia e a MG Terceirizações. Darcy disse ter tomado conhecimento apenas “pela imprensa e pelas declarações prestadas na CPI”. Quando questionado sobre a demora de mais de um ano para a exoneração de Garcia, respondeu: “Essa pergunta não cabe a mim. O prefeito tomou a iniciativa a partir de notícias e denúncias, que é o que eu sei. Se ele demorou quanto tempo, ele demorou, e por que foi exonerado, isso é uma decisão do gabinete do prefeito, não é minha. Quem deveria ter exonerado o Alexandre Garcia era o prefeito”, conclui.
Darcy também negou conhecer detalhes de denúncias encaminhadas por servidores ao Ministério Público sobre pagamentos antecipados a empresas, contrariando depoimentos já prestados por ex-funcionários do DMAE à promotoria. “Acusações são acusações”, afirmou, contestando os relatos de favorecimento irregular em contratos.
Sobre o sistema de drenagem, Darcy afirmou que todas as casas de bombas estavam operando plenamente no início da enchente, mas reconheceu que falhas haviam sido identificadas em 49 pontos do sistema antienchentes. Também admitiu que não houve uma avaliação completa da estabilidade das estruturas de proteção antes da tragédia de 2024, apesar dos alertas técnicos registrados desde 2019. Questionado especificamente sobre os problemas estruturais nas casas de bombas 17 e 18, declarou: “no meu período de diretor-geral eu não tinha ciência deste problema”. Para justificar a ausência de providências, atribuiu a falha ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI), alegando que a mudança de nomenclatura das unidades administrativas teria mascarado a origem dos alertas e impedido que chegassem ao DMAE em sua gestão.
“O sistema SEI troca o nome das unidades administrativas cada vez que elas são rebatizadas. Então, um processo iniciado em 2019 na Secretaria de Infraestrutura, por exemplo, hoje aparece como se tivesse tramitado no DMAE. Mas não passou pelo DMAE naquele período”, afirma.
Para a presidente da CPI, vereadora Natasha Ferreira (PT), o depoimento reforça a omissão da gestão:
“O ex-diretor tenta apresentar números de investimentos, mas ao mesmo tempo admite que falhas não foram corrigidas e que diques e comportas não foram avaliados antes da enchente. Sobre corrupção, se esquiva e joga a responsabilidade no prefeito. Até no caso dos alertas técnicos, a explicação foi empurrada para uma falha do SEI. O depoimento escancara que houve negligência e falta de transparência na gestão do DMAE”, conclui a parlamentar.
A CPI seguirá com o cronograma de oitivas nas próximas semanas. O depoimento de Carlos André Bulhões, previsto inicialmente para esta segunda-feira, está reagendado para o dia 8 de setembro.
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Originalmente publicado em Câmara POA