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PT Porto Alegre

Ação foi motivada por declarações feitas ao vivo no SBT, quando o apresentador afirmou que a deputada federal “não é mulher” ao comentar sua eleição para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara17/03/2026 10:26

Movimentação de Plenário. Na tribuna, a vereadora Natasha Ferreira
Natasha Ferreira é uma das primeiras travestis eleitas em Porto Alegre(Foto: Johan de Carvalho/CMPA- Uso público, resguardado o crédito obrigatório)

A vereadora Natasha Ferreira (PT) protocolou, na quarta-feira (11), uma denúncia no Ministério Público Federal contra o apresentador Ratinho por declarações transfóbicas feitas durante seu programa no SBT. No programa, o comunicador questionou a legitimidade da eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

Durante a transmissão ao vivo, Ratinho afirmou que Erika “não é mulher, é trans” e criticou sua presença à frente da comissão. Na mesma declaração, disse que, para ele, uma mulher “precisa ter útero e menstruar”. Na denúncia, Natasha sustenta que as afirmações configuram prática de transfobia, reconhecida no Brasil como crime inafiançável e imprescritível. A vereadora afirma que declarações desse tipo reforçam a violência, o estigma e a discriminação enfrentados diariamente por travestis e pessoas trans no país.

Para a parlamentar, que preside a Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh), a responsabilização por declarações públicas que estimulam o preconceito é fundamental para combater a transfobia e garantir respeito à população trans.

“A fala de Ratinho é absurda. Erika Hilton tem todas as capacidades para ser presidenta da Comissão das Mulheres da Câmara. Existem mulheres sem útero, existem mulheres que não podem ter filhos. Ser mulher é muito mais do que aquilo que ele imagina”, afirmou Natasha.

A vereadora também destacou que ataques públicos a mulheres trans eleitas representam uma tentativa de deslegitimar sua participação na vida política.

“A Erika é mulher, é uma travesti e é deputada eleita. Ela vai cumprir sua função na Câmara Federal como qualquer outra mulher. A era de mulheres trans e travestis ocupando espaços de poder chegou e a gente não vai recuar”, declarou.

Natasha também destacou que a denúncia busca responsabilizar manifestações de ódio feitas em rede nacional. “Transfobia é crime no Brasil. Quem dissemina preconceito precisa responder por isso”, completou.

A denúncia agora será analisada pelo Ministério Público Federal, que poderá instaurar procedimento para investigar o caso.

A Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal não é responsável pelo material produzido e publicado na área reservada aos Gabinetes de Vereadores.

Originalmente publicado em Câmara POA

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