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PT Porto Alegre

Representantes do governo formaram maioria para rejeitar os requerimentos para ouvir Bruno Vanuzzi, Gustavo Ferenci e Gilvani “Gringo” (Republicanos)01/09/2025 18:37

CPI do Desmonte do Dmae, 01/09/2025
Oitiva de Carlos Eduardo Morelli Tucci na CPI do Desmonte do DMAE. Foto: João Vicente Marcelino Barbosa

A CPI do Desmonte do DMAE rejeitou, nesta segunda-feira (1º), os requerimentos que pediam a convocação de figuras centrais para esclarecer as denúncias de corrupção e negligência envolvendo a autarquia. Com maioria formada pela base do governo Melo, foram derrubadas as propostas de convocação do atual diretor do DMAE Bruno Vanuzzi, do secretário municipal de Transparência e Controladoria Gustavo Ferenci e do vereador Gilvani “Gringo” (Republicanos).

As convocações buscavam esclarecer pontos-chave da investigação. No caso de Ferenci, havia a suspeita de que denúncias contra o ex-diretor Alexandre Garcia chegaram à secretaria ainda em 2021, sem que medidas tenham sido adotadas. Gringo foi citado por sua ligação societária com uma empresa contratada pelo DMAE durante a enchente de 2024. Já o diretor, Bruno Vanuzzi, seria chamado para explicar a condução administrativa e operacional do órgão após as falhas expostas nas cheias do ano passado.

Para a presidente da CPI, vereadora Natasha Ferreira (PT), a decisão representa uma tentativa da base do governo de blindar investigados.

“Esses depoimentos poderiam esclarecer pontos centrais da investigação: a omissão diante das denúncias de corrupção, os contratos suspeitos durante a enchente e a atual gestão do DMAE. Rejeitar as convocações é impedir que a CPI chegue aos responsáveis”, afirmou.

Vitória da Oposição na CPI 

A convocação da deputada federal Maria do Rosário (PT), apresentada pelo vereador Ramiro Rosário (Novo), aliado do governo, também foi rejeitada. O requerimento tinha como justificativa uma fala da deputada, em debate eleitoral, sobre casos de corrupção na gestão do saneamento em Porto Alegre. Para Natasha, a proposta representava uma tentativa de perseguição política, já que Maria do Rosário não tem qualquer vínculo com o DMAE. A derrubada do pedido, segundo ela, expõe uma derrota política do governo Melo dentro da comissão.

Oitiva de professor sem relação com o DMAE gera críticas na CPI 

A sessão também foi marcada pela oitiva do professor Carlos Eduardo Morelli Tucci, convocado pela base governista. Embora tenha feito uma defesa técnica do sistema de drenagem da capital, o depoente reconheceu não ter relação direta com o DMAE nem conhecimento sobre o objeto da investigação. Para Natasha, a convocação confirma a estratégia de esvaziar a CPI:

 “Mais uma sessão em que a base do governo fez uma convocação a um professor que não tinha nada a ver com os golpes da CPI. Nós não vamos mais aceitar que a base chame pessoas que não têm nada a ver com a investigação. Estamos apurando corrupção, negligência e desmonte, não é o caso de trazer técnicos, e sim de ouvir quem deve responder pelos crimes cometidos contra a máquina pública do DMAE”, afirmou.

A parlamentar também cobrou responsabilização da gestão municipal pelas enchentes de 2024.

“Não vamos aceitar que a gestão Melo fuja da responsabilidade pela negligência que teve com a máquina pública. A CPI contra o desmonte vai seguir, trazendo novas oitivas, e seguiremos vigilantes para que a base do governo não tente boicotar os trabalhos, concluiu.”

A próxima reunião está marcada para segunda-feira (8), quando será ouvido o ex-reitor da UFRGS Carlos Bulhões, mestre em Engenharia de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental.

Originalmente publicado em Câmara POA

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